L7NNON publicou um vídeo com um alerta direcionado a pais, mães e responsáveis sobre os riscos que crianças e adolescentes enfrentam na internet. No conteúdo, o rapper chama atenção para a atuação de predadores em plataformas populares entre os jovens e reforça a importância da supervisão familiar.
"Esse vídeo aqui é pra você, pra você que é pai, mãe, você que cuida de alguma criança. A gente sabe que hoje o maior perigo que uma criança pode enfrentar vem através da tela de um celular", afirma o artista.
Durante o vídeo, L7NNON cita plataformas como Roblox, Free Fire, Minecraft, Discord, TikTok, Instagram, WhatsApp e Telegram como ambientes em que adultos podem se passar por crianças e adolescentes para conquistar a confiança das vítimas antes de iniciar situações de abuso, chantagem ou exploração.
Segundo o rapper, esse tipo de crime acontece diariamente e exige atenção dos responsáveis.
O que diz o relatório da UNICEF
O alerta de L7NNON é reforçado por dados do relatório Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, divulgado em março de 2026 pelo UNICEF Innocenti em parceria com a ECPAT International e a Interpol.
O estudo aponta que 19% dos adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um período de um ano. Isso representa aproximadamente 3 milhões de crianças e adolescentes.
Segundo o levantamento, 66% dos casos aconteceram em ambientes online. As principais formas de contato ocorreram por redes sociais e aplicativos de mensagens (64%) e jogos online (12%). Instagram e WhatsApp aparecem entre as plataformas mais citadas pelas vítimas.
A forma de violência mais relatada foi o recebimento de conteúdo sexual não solicitado, mencionado por 14% dos entrevistados. O estudo também aponta que 49% dos casos envolveram alguém conhecido da vítima e que 34% das crianças e adolescentes não contaram o ocorrido para ninguém por medo ou vergonha.
Os números reforçam alertas feitos por especialistas, que destacam que muitos casos começam em ambientes vistos como seguros pelas famílias e depois migram para conversas privadas.
Por que essas plataformas preocupam
Jogos como Roblox, Free Fire e Minecraft, além de aplicativos como Discord, WhatsApp e Telegram, permitem comunicação em tempo real entre usuários.
Autoridades brasileiras já registraram casos em que criminosos utilizaram esses ambientes para conquistar a confiança de crianças oferecendo amizade, presentes virtuais ou ajuda dentro dos jogos antes de solicitar imagens íntimas ou praticar outras formas de aliciamento.
Especialistas reforçam que o problema não está nas plataformas em si, mas na ausência de supervisão, configurações de privacidade e controle parental.
Como pais e responsáveis podem aumentar a proteção
Especialistas recomendam algumas medidas simples que podem reduzir significativamente os riscos:
- Conversar frequentemente com crianças e adolescentes sobre segurança digital e explicar que nunca devem enviar fotos, vídeos ou informações pessoais para desconhecidos.
- Ativar controles parentais e restringir chats com pessoas desconhecidas sempre que possível.
- Manter perfis privados e revisar configurações de privacidade em aplicativos e redes sociais.
- Evitar que crianças utilizem celulares ou tablets isoladas por longos períodos, principalmente durante a noite.
- Observar mudanças de comportamento, como isolamento, medo de usar determinados aplicativos ou tentativa de esconder conversas.
- Denunciar imediatamente qualquer suspeita às autoridades competentes.
Um alerta que vai além das redes sociais
Ao compartilhar o vídeo, L7NNON utilizou sua visibilidade para chamar atenção para um problema que vem crescendo no ambiente digital. Os dados da UNICEF mostram que a violência sexual facilitada pela tecnologia afeta milhões de crianças e adolescentes brasileiros e reforçam a importância da participação ativa das famílias na vida online dos filhos.
