Matuê usou sua passagem pelo Alma Festival, no Rio de Janeiro, para confirmar que a turnê do álbum "XTRANHO" está chegando ao fim. Em entrevista ao Multishow concedida após o show, o rapper cearense revelou que o próximo passo será voltar ao estúdio com um foco diferente. "Daqui a pouco eu vou voltar pro estúdio e voltar a produzir algo novo", disse.
Essa foi a quarta vez que Matuê se apresentou no festival carioca, reforçando a relação de proximidade que construiu com o público do Rio ao longo dos anos. "É sempre um prazer tá aqui cantando no Alma", afirmou o artista, destacando que a edição deste ano marcou o momento mais maduro da turnê, com o repertório "todo encaixadinho" e uma resposta forte do público às diferentes fases de sua carreira, do álbum "Máquina" ao mais recente "XTRANHO".
Ao comparar os três discos, Matuê traçou um panorama de sua evolução artística. Segundo ele, "Máquina" trouxe "uma simplicidade e uma inocência" do início de carreira. Já "333" representou "uma coisa mais madura", com foco na "parte melódica e harmônica" das composições. Sobre "XTRANHO", o rapper resumiu que o disco foi "mais texturas, estéticas e collabs interessantes, inesperadas".
Para o próximo capítulo, o artista preferiu não adiantar detalhes, mas prometeu "uma nova faceta" do que sabe fazer em estúdio. "Dessa vez eu quero fazer algo pra minha galera", declarou. "Não seja pra atender talvez uma vontade musical minha, que eu já consegui fazer bem tanto no 333 quanto no XTRANHO." Segundo ele, o novo trabalho deve nascer da escuta mais atenta ao público. "Vou tá ouvindo um pouco mais o feedback da galera, talvez", completou.
Um dos pontos centrais da conversa foi o senso de comunidade que Matuê cultiva com sua equipe e com o público, simbolizado pelo movimento "30PRAUM", em que fãs se reúnem e se abraçam durante os shows. No álbum "XTRANHO", o rapper ampliou essa lógica de coletividade também para dentro da música, convidando nomes do trap underground para colaborações. Sobre esses artistas em início de carreira, ele foi direto. "Os moleques que tão começando vira a noite e faz dez música comendo miojo. Então isso aí pra mim é uma inspiração", contou. Para Matuê, esse contato "instiga bastante" a manter "a fome" e a "garra" em cima do próprio trabalho.
Musicalmente, cada turnê de Matuê também carrega uma identidade própria. Enquanto o ciclo de "333" foi marcado por uma banda de rock completa no palco, a turnê de "XTRANHO" adotou uma formatação diferente, com DJ e parte da equipe que já o acompanha há anos, como o guitarrista Samuel, presente em todas as apresentações.
Com a turnê caminhando para o encerramento, a expectativa agora se volta para o que Matuê vai apresentar em sua próxima fase, que, segundo o próprio artista adiantou, deve nascer de uma escuta mais atenta ao que o público espera dele.
