Rockstar pesquisou Miami bass, Kodak Black e Sexyy Red para construir a cena de rap de GTA VI
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Rockstar pesquisou Miami bass, Kodak Black e Sexyy Red para construir a cena de rap de GTA VI

Estúdio, strip club, gravadora, artistas fictícias e redes sociais fazem parte de uma representação da indústria musical de Vice City que vai além das rádios.

Estúdio, strip club, gravadora, artistas fictícias e redes sociais fazem parte de uma representação da indústria musical de Vice City que vai além das rádios.

A Rockstar não está usando o hip-hop em GTA VI apenas para preencher as rádios dos carros. A empresa pesquisou diretamente a história e a cena atual de Miami para construir personagens, lugares e negócios ligados à música dentro de Vice City.

A confirmação veio em uma entrevista publicada pela Dazed em 26 de agosto, um dia antes da estreia do Extended Look na Netflix.

Rupert Humphries, vice-presidente sênior de narrativa da Rockstar, explicou que a equipe estudou desde o Miami bass até artistas contemporâneos como Kodak Black e Sexyy Red.

A pesquisa não ficou restrita à música.

A Rockstar também estudou como o hip-hop circula por diferentes partes de Miami, passando por festas em casas de Overtown, strip clubs como o Booby Trap on the River e espaços de alto padrão em South Beach.

Esse caminho ajuda a entender alguns dos personagens que já foram apresentados oficialmente.

Boobie Ike é descrito pela Rockstar como uma figura conhecida de Vice City que transformou sua vida nas ruas em um império com imóveis, um strip club e um estúdio de gravação.

O clube se chama Jack of Hearts.

É nessa estrutura que aparece Dre'Quan Priest.

Dre'Quan queria entrar na música mesmo quando ainda precisava ganhar dinheiro nas ruas. Antes de avançar com a própria gravadora, trabalhava contratando atrações para o clube de Boobie.

Agora o objetivo é fazer a Only Raw Records crescer.

Uma das frases usadas pela própria Rockstar para apresentar o personagem ajuda a entender a lógica: Dre'Quan trata as dançarinas do clube como uma espécie de A&R. Se uma música funciona ali, o próximo passo é fazer os DJs começarem a tocar.

Isso pode parecer apenas uma piada criada para GTA, mas existe um contexto real por trás.

Durante décadas, clubes e DJs tiveram papel fundamental na circulação do rap no sul dos Estados Unidos. Uma música podia começar localmente, ganhar espaço na noite, chegar aos DJs e construir uma reação antes de alcançar estruturas maiores da indústria.

A Rockstar colocou essa lógica dentro da história.

Boobie tem o clube e o estúdio. Dre'Quan conhece a noite e quer construir a gravadora. Os DJs ajudam uma música a circular. As artistas precisam encontrar o próximo hit.

É aí que entram Bae-Luxe e Roxy.

As duas formam a Real Dimez, dupla fictícia de rap que já teve sucesso anteriormente com uma música ao lado do rapper local DWNPLY.

Depois de cinco anos e vários problemas, elas assinam com a Only Raw Records tentando voltar ao topo.

A Rockstar também deixou claro que as redes sociais fazem parte dessa história.

Real Dimez é apresentada através da ideia de vídeos e refrões virais. A presença online das duas não aparece como detalhe decorativo. A própria equipe do jogo afirmou à Dazed que será possível acompanhar a ascensão da dupla através de posts virais dentro das redes sociais de GTA VI.

Isso aproxima a história da forma como uma carreira musical realmente pode crescer em 2026.

Uma música não depende apenas da rádio ou de uma gravadora. Um trecho viral, um vídeo, uma postagem ou a reação do público pode mudar a velocidade de uma carreira.

A escolha de uma dupla feminina também foi comentada pela Rockstar. Segundo a equipe, a indústria mudou bastante desde GTA V e mulheres passaram a ocupar uma posição muito mais central na música popular e no rap.

Real Dimez foi construída dentro desse cenário.

A comparação com City Girls é inevitável para quem conhece o rap da Flórida.

JT e Yung Miami formaram uma das duplas femininas mais importantes que saíram da região, com músicas ligadas à vida noturna, sexualidade, dinheiro e cultura de Miami.

Mas existe um limite importante.

A Rockstar não afirmou que Real Dimez é baseada em City Girls, JT ou Yung Miami.

As semelhanças culturais existem, mas transformar isso em inspiração confirmada seria ir além do que a empresa revelou.

O mesmo vale para Boobie Ike.

O personagem lembra o arquétipo de empresários que circulam entre rua, clubes, imóveis, música e vida noturna em Miami, mas não existe confirmação de que ele seja baseado em Luther Campbell, Rick Ross, algum empresário do Booby Trap ou qualquer pessoa específica.

O que está confirmado é o ecossistema.

E para entender esse ecossistema, o Miami bass é uma peça central.

O gênero surgiu e se consolidou no sul da Flórida com batidas eletrônicas, graves pesados, TR-808, cultura de carros, festas e letras sexualmente explícitas. Nomes como 2 Live Crew e Luther Campbell ajudaram a transformar aquele som em uma identidade regional.

A influência ultrapassou a música.

Miami bass está ligado a carros com sistemas de som, clubes, DJs, festas, dança e empreendedorismo musical. São elementos que aparecem constantemente no mundo que a Rockstar está construindo para Leonida.

O mais interessante é que a empresa não ficou presa ao passado.

Na mesma explicação em que cita Miami bass, Humphries pula para Kodak Black e Sexyy Red.

Um dia depois, músicas dos dois apareceram no Extended Look.

"Skrilla", de Kodak Black, e "Pound Town", de Sexyy Red com Tay Keith, tocaram no showcase oficial exibido pela Netflix.

A ligação fica mais clara quando as peças são colocadas juntas.

Miami bass representa uma raiz histórica da Flórida.

Kodak Black representa uma geração que recolocou o rap do estado no centro da conversa nacional.

Sexyy Red representa uma fase ainda mais recente do Southern rap, marcada por viralização e redes sociais.

Real Dimez leva essa mesma lógica para dentro do universo ficcional.

A Rockstar ainda não revelou como tudo isso será transformado em missões.

Não sabemos se Jason e Lucia participarão de sessões de estúdio, contratos, lançamentos ou conflitos envolvendo a Only Raw Records. Também não existe confirmação de que as músicas da Real Dimez serão lançadas fora do jogo.

Mas a infraestrutura já está ali.

Existe um estúdio.

Existe um strip club.

Existe uma gravadora.

Existe um empresário tentando encontrar um hit.

Existe uma dupla de rap.

Existem DJs.

Existem redes sociais capazes de tornar artistas virais.

Isso coloca a música em uma posição diferente daquela de simplesmente tocar enquanto o jogador dirige.

GTA Online já vinha testando esse caminho havia anos. A Rockstar criou clubes, trouxe DJs reais, trabalhou com The Lab, colocou Frank Ocean na blonded Los Santos 97.8 FM, lançou a CircoLoco Records e transformou músicas inéditas de Dr. Dre em parte da história de The Contract.

GTA VI parece puxar parte dessa experiência para dentro da campanha principal.

A diferença é que, dessa vez, a indústria do rap já faz parte do mundo antes mesmo de o jogo ser lançado.