Quem acompanha o trap brasileiro provavelmente passou a ouvir muito mais sobre a TAMEC em 2026. A marca esteve por trás da Casa TAMEC, começou a criar seus próprios programas e, mais recentemente, iniciou uma nova fase ao lado de Maik com um objetivo bem ambicioso: transformar a operação em uma espécie de emissora digital voltada para a internet.
Só que a história da TAMEC começou antes disso.
Já existem lançamentos creditados à TAMEC Records desde pelo menos 2024. Um deles é "Na Minha Onda", trabalho que reuniu TAMEC, Dudu, JayA Luuck e Blanko, além de participações de Hunter, Flepa, Don Plako e MYQUE. Em 2025, o selo continuou aparecendo em novos sons, principalmente ao lado de Blanko e Lizinmec.
Blanko e Joshua Lavaggi são apontados como fundadores da TAMEC Records. Hoje, Joshua aparece na direção da empresa, enquanto Blanko trabalha como produtor e A&R. Saik aparece como diretor criativo e Lizinmec como artista.
A própria TAMEC se apresenta atualmente como um selo de música urbana e hub de produção de conteúdo. Além dos lançamentos, a estrutura trabalha com produção musical, audiovisual, distribuição, estratégia de lançamento e gerenciamento de carreira.
Foi em 2026 que essa parte de conteúdo começou a ficar muito mais visível para quem acompanha a cena.
A Casa TAMEC colocou a empresa em outro espaço
Em junho, aconteceu a primeira edição da Casa TAMEC, apresentada pela própria organização como o primeiro reality de trap do Brasil.
Foram 72 horas de transmissão com artistas convivendo na mesma casa, participando de desafios, freestyles e sessões de criação. Maik apresentou o projeto e Duzz terminou como campeão da edição.
Segundo a TAMEC, seis músicas foram gravadas durante os três dias e o projeto passou de 5 milhões de impressões no Instagram. A empresa também já fala em uma segunda temporada.
E o material criado lá não ficou preso ao reality.
Pelo menos dois dos sons gravados durante a Casa TAMEC já foram lançados oficialmente no canal da empresa.
Isso explica melhor o formato da Casa TAMEC. Enquanto o público acompanhava os artistas ao vivo, a estrutura também funcionava como um camp de criação. Música e entretenimento aconteciam ao mesmo tempo.
A primeira edição ainda teve vários momentos que repercutiram durante aqueles três dias e foram acompanhados em tempo real pela Trapground. Essa história completa fica para uma matéria separada.
A TAMEC começou a montar uma programação própria
Depois do reality, começaram a aparecer outros projetos que deixavam mais claro para onde a empresa queria levar a parte de conteúdo.
Um deles é o FIZ UM TROCA, apresentado por Crial. O programa mistura entrevista, humor e situações criadas em volta dos convidados e fechou sua primeira temporada com quatro episódios.
Outro projeto é o TAMAIK, apresentado por Maik.
O programa estreou no fim de agosto. No primeiro episódio, Maik montou um Top 10 de tretas do rap nacional, passando por nomes como Raffa Moreira, Matuê, Teto, Hash, ABBOT, Highlander, Young Mascka, Mano Brown e outros artistas.
A própria TAMEC apresenta o TAMAIK como um projeto de livestreams com quadros e convidados.
Só que a relação entre Maik e a empresa acabou ficando maior do que um quadro.
Maik encerrou o QG do Maik e levou as lives para a TAMEC
No dia 9 de setembro, Maik anunciou o encerramento das transmissões pelo "QG do Maik", canal onde vinha desenvolvendo suas lives.
A partir daquele momento, a nova fase do projeto passaria a acontecer dentro da TAMEC.
Na primeira transmissão dessa etapa, ele mostrou parte da estrutura que estava sendo preparada, falou sobre novos equipamentos para lives IRL e explicou que queria produzir conteúdos maiores, com mais pessoas envolvidas e uma estrutura melhor por trás das transmissões.
Foi também quando apareceu a ideia mais ambiciosa dessa nova fase.
Segundo Maik, existe um plano de dois anos para transformar a TAMEC no "maior hub de entretenimento do Brasil" e em uma "emissora digital".
Ele também disse que pretende se tornar um dos maiores streamers do país durante esse período.
O termo "emissora digital" ajuda a entender o que eles estão tentando montar.
A ideia não parece ser manter apenas um canal para publicar clipes e lançamentos musicais. A TAMEC começou a colocar reality, entrevistas, humor, livestreams, convidados, quadros sobre rap e produção musical debaixo da mesma marca.
É uma operação pensada para ter conteúdo acontecendo com frequência, mesmo quando nenhum artista do selo está lançando música naquele momento.
Maik chegou a falar inicialmente em transmissões todos os dias. Hoje, o próprio site da TAMEC apresenta uma programação de três lives por semana com ele, o que mostra que essa nova fase ainda está sendo ajustada enquanto acontece.
De selo de música para um projeto maior de entretenimento
A música continua sendo uma das bases da TAMEC.
Em 2026, o selo seguiu lançando novos trabalhos, enquanto a parte de conteúdo crescia em paralelo. A diferença é que agora esses dois lados começam a se encontrar cada vez mais.
A Casa TAMEC é talvez o exemplo mais claro disso até aqui. Durante três dias, a empresa conseguiu transformar o processo de criação dos artistas em entretenimento ao vivo e ainda tirar músicas daquele ambiente que depois chegaram ao público como lançamentos oficiais.
O FIZ UM TROCA abriu outra frente com Crial. O TAMAIK colocou Maik em uma programação recorrente. Agora, com o antigo QG do Maik incorporado a essa nova fase, o streaming passa a ter um peso ainda maior dentro do projeto.
A ideia de transformar tudo isso em uma "emissora digital" ainda é um objetivo para os próximos anos, não algo que a TAMEC já alcançou.
Mas o caminho começa a aparecer.
A empresa que muita gente conheceu pelos créditos de músicas hoje tenta criar uma operação onde artistas, estúdio, lives, programas e lançamentos possam existir dentro do mesmo lugar. E, olhando para o que aconteceu só em 2026, provavelmente essa é a parte mais interessante da TAMEC para acompanhar daqui para frente.
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