Leviano voltou a falar abertamente sobre ser comunista e por que considera importante carregar essa posição dentro do rap. Em dois vídeos recentes, o rapper de Fortaleza explicou a importância de levantar a bandeira mesmo quando o posicionamento ainda é pouco comum na cena e rebateu as críticas de quem diz que comunista não pode gostar de coisa cara.
No primeiro trecho, gravado em conversa com o entrevistador guixr85, ele responde diretamente à pergunta sobre a importância de defender o comunismo no rap atual. Para Leviano, quem teve acesso a esse tipo de conhecimento tem o "dever histórico" de transformar a teoria em prática. O rapper trata o tema como algo que não pode ficar só no discurso.
Dias depois, ele voltou ao assunto em um vídeo mais longo, falando sozinho e respondendo às reações. A crítica mais comum que chegou até ele é a de que comunista não pode curtir iPhone, Lamborghini ou qualquer produto de luxo. Leviano rebateu explicando sua visão sobre o trabalho por trás desses itens: segundo ele, o capitalismo em si não faz nada - quem produz tudo são os trabalhadores. No final, ainda respondeu aos argumentos conservadores que usam a ideia de "socializar os bens" contra comunistas. A frase dele foi direta: "Quem falou isso foi Jesus".
O posicionamento chama atenção porque o trap brasileiro, em geral, gira em torno de dinheiro, status, carros e joias. Leviano, que já ultrapassa 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify e tem hits como "Confissões Pt1" e "100% Molho", não esconde o gosto por essas coisas. Ao mesmo tempo, ele insiste em manter o discurso político. O próprio artista chegou a retuitar a postagem com o segundo vídeo.
Leviano, cujo nome verdadeiro é Guilherme Matos, nasceu e cresceu em Messejana, Fortaleza. Começou a carreira por volta de 2016-2018, vendendo bombons em ônibus para investir na música e participando de batalhas locais. Passou pela Hash Produções e depois assinou com a Mainstreet Records. Em 2023 lançou o álbum "Vetin", que consolidou seu nome. Nos últimos anos, viveu uma briga pública com Orochi e a gravadora, com a diss "Free Vetin" e cobranças sobre contrato e valores. Mais recentemente, segue lançando projetos como "MALINO" e colaborações.
Na cena do rap e trap nacional, declarações abertas de comunismo ainda são raras. Nomes como Don L já transitam por esse território há mais tempo, mas no trap mainstream o discurso costuma ser outro. Leviano mistura as duas coisas: fala de vivência de periferia, dinheiro e, ao mesmo tempo, de "dever histórico" e valorização do trabalhador.
Os dois vídeos viralizaram rápido e geraram reações divididas. Parte da galera apoiou, outra ironizou o contraste entre o discurso e o lifestyle. Ele não recuou. Continuou explicando o ponto de vista e citando o trabalhador como a força real por trás de qualquer produto.
