Kanye West de boné MAGA em reunião com Donald Trump no Salão Oval em 11 de outubro de 2018.
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Rappers e Donald Trump: os motivos por trás de 14 casos, do apoio político aos shows pagos

Kanye West, Nicki Minaj, Snoop Dogg, Kodak Black e outros artistas tiveram relações diferentes com Trump. Entenda o que realmente aconteceu em cada caso.

Kanye West, Nicki Minaj, Snoop Dogg, Kodak Black e outros artistas tiveram relações diferentes com Trump. Entenda o que realmente aconteceu em cada caso.

Kanye West e Donald Trump no Salão Oval, em outubro de 2018. Foto: Casa Branca.

Kanye West entrou no Salão Oval de boné MAGA. Lil Wayne publicou uma foto com Trump às vésperas da eleição de 2020. Snoop Dogg, que já havia atacado o republicano em um clipe, acabou cantando em uma festa ligada à posse. As imagens renderam manchetes parecidas, mas as histórias por trás delas têm pouco em comum.

A admiração pela personalidade do presidente explica algumas aproximações. Em outras, pesaram os impostos, as propostas para a população negra ou a gratidão de quem viu um amigo sair da prisão. Houve também quem aceitasse um show pelo cachê e depois precisasse responder às críticas.

Essas relações mudaram com o tempo. 50 Cent retirou seu apoio ainda na campanha de 2020. Sexyy Red elogiou Trump em um podcast, mas declarou voto em Kamala Harris na eleição seguinte. Ice Cube conversou com a campanha republicana e continuou rejeitando o rótulo de apoiador. Os 14 casos a seguir mostram como cada artista chegou perto de Trump e o que disse sobre essa escolha.

1. Kanye West

Kanye West viu na vitória de Trump uma possibilidade que também imaginava para si: alguém de fora da política tradicional chegar à Presidência. Os dois se encontraram na Trump Tower em 13 de dezembro de 2016, quando o republicano ainda era presidente eleito. Em 2018, o rapper passou a usar o boné MAGA e a defender publicamente sua liberdade de pensamento.

Na entrevista com Charlamagne Tha God divulgada em 1º de maio daquele ano, Ye explicou a admiração pelo candidato improvável que venceu a disputa. Relacionou essa identificação à própria ambição presidencial, sem dizer que concordava com todas as políticas do governo.

Em 11 de outubro de 2018, levou o boné vermelho ao Salão Oval para outro encontro com Trump. Dois anos depois, seguiu seu próprio caminho: lançou uma candidatura à Presidência e disse à Forbes que estava retirando o apoio ao republicano naquele momento.

Kanye West usa boné MAGA durante encontro com Donald Trump no Salão Oval em outubro de 2018.
Kanye West com Trump no Salão Oval, em outubro de 2018. Foto: Casa Branca.

2. Nicki Minaj

Nicki Minaj explicou sua aproximação com Trump pelo que via como uma experiência compartilhada. No podcast de Katie Miller, em 3 de fevereiro de 2026, disse reconhecer nos ataques ao presidente campanhas que também sentia ter enfrentado. Em 2018, havia reagido à separação de famílias imigrantes; em 2021, entrou em confronto com autoridades após divulgar uma alegação não comprovada sobre vacinação.

A defesa de Trump ganhou palco no AmericaFest, da Turning Point USA, em 21 de dezembro de 2025, quando ela elogiou o republicano e JD Vance. Em 28 de janeiro de 2026, Nicki se apresentou como a principal fã do presidente no evento Trump Accounts.

A relação também incluiu um convite da Small Business Administration, que a anunciou como jurada do Million Dollar Pitch em 31 de agosto. O concurso oferecia US$ 1 milhão em prêmios para empresas, financiados pela Clover. A quantia era destinada aos participantes, sem anúncio de um pagamento desse valor à rapper.

Nicki Minaj ao lado de Donald Trump em fotografia oficial de janeiro de 2026.
Nicki Minaj com Trump em janeiro de 2026. Foto: Daniel Torok/Casa Branca.

3. Snoop Dogg

A gratidão por Michael Harry-O Harris explica a mudança de tom de Snoop Dogg sobre Trump. Financiador e cofundador da Death Row Records, gravadora decisiva na carreira do rapper, Harris saiu da prisão após uma comutação de pena anunciada pela Casa Branca em 20 de janeiro de 2021. Snoop agradeceu à equipe do presidente pela medida.

Era uma relação diferente da que aparecia em Lavender, clipe de 2017 no qual Snoop usou uma caricatura de Trump. Em entrevista ao Sunday Times divulgada em janeiro de 2024, o rapper disse ter amor e respeito pelo republicano e citou a libertação de Harris, sem declarar seu voto.

Em 17 de janeiro de 2025, Snoop cantou no Crypto Ball, festa do setor de criptomoedas ligada às celebrações da posse, à qual Trump não compareceu. A apresentação gerou críticas. Ao respondê-las no Breakfast Club, em 14 de maio, afirmou não representar republicanos nem democratas.

Snoop Dogg comenta o Crypto Ball, em maio de 2025. Vídeo: The Breakfast Club.

4. Lil Wayne

Lil Wayne saiu de uma reunião com Trump elogiando a reforma criminal e as propostas econômicas para a população negra. Em 29 de outubro de 2020, poucos dias antes da eleição, publicou uma foto dos dois no resort Trump National Doral, em Miami, e destacou o Platinum Plan da campanha republicana.

O plano prometia ampliar o acesso a capital e a participação econômica da comunidade negra. Wayne disse que Trump havia ouvido suas propostas e garantido que poderia colocá-las em prática. A publicação concentrava os elogios nessa agenda, sem uma declaração explícita de voto.

O encontro ocorreu antes do perdão presidencial integral anunciado pela Casa Branca em 20 de janeiro de 2021. A medida beneficiou Wayne pela condenação federal relacionada à posse de arma e munição por pessoa já condenada. Diferentemente da comutação concedida a Kodak Black, Wayne recebeu um perdão.

Lil Wayne após o encontro com Trump, em outubro de 2020. Publicação: Lil Wayne/X.

5. 50 Cent

O apoio de 50 Cent a Trump em 2020 durou poucos dias e começou com uma reclamação sobre impostos. Em 19 de outubro, o rapper compartilhou um quadro da CNBC sobre a proposta tributária de Joe Biden e pediu votos para o republicano. No dia seguinte, voltou a protestar contra a projeção de uma alíquota próxima de 62% em Nova York.

A conta estimava a alíquota marginal máxima para pessoas de renda elevada, somando impostos federais, estaduais e locais. Não correspondia a uma cobrança de 62% sobre toda a renda do rapper, nem a uma taxa prevista para todos os americanos.

A reação incluiu críticas de Chelsea Handler, com quem ele já havia se relacionado. Em 25 de outubro, 50 Cent recuou: publicou que não gostava de Trump junto de um vídeo da comediante no programa de Jimmy Fallon. O pedido de votos deu lugar à retirada pública do apoio ainda naquela campanha.

50 Cent relembra a eleição de 2020 em entrevista de setembro de 2021. Vídeo: MSNBC.

6. Kodak Black

Kodak Black associou seu apoio a Trump à decisão que antecipou sua saída da prisão. Condenado em 13 de novembro de 2019 a 46 meses por declarações falsas em formulários para comprar armas, teve a pena federal comutada em 19 de janeiro de 2021. A redução encurtou a punição, sem apagar a condenação.

No comunicado divulgado no dia seguinte, a Casa Branca citou o apoio de lideranças religiosas, representantes da comunidade e artistas como Gucci Mane, Lil Pump e Lil Yachty ao pedido de clemência. Ao sair, Kodak agradeceu publicamente pela redução da sentença e pela atuação de Trump na reforma criminal.

A gratidão se transformou em campanha aberta. Em junho de 2021, o rapper apareceu com peças da campanha republicana e disse que queria ver Trump novamente na Presidência. Na eleição de 2024, participou de ONBOA47RD, faixa favorável ao candidato.

Kodak Black no Drink Champs, em outubro de 2023. Vídeo: REVOLT.

7. Lil Pump

Lil Pump levou sua rejeição aos impostos propostos por Joe Biden das redes sociais ao palanque de Trump. Em outubro de 2020, declarou apoio ao republicano por discordar da proposta tributária democrata. Na reta final da campanha, tornou-se um dos convidados a pedir a reeleição do presidente em um comício.

O encontro aconteceu em Grand Rapids, no Michigan, última parada da campanha de Trump, anunciada para a noite de 2 de novembro. Pump subiu ao palco já na madrugada do dia 3, usando o boné vermelho MAGA. Ao apresentá-lo, Trump trocou seu nome por "Little Pimp" e depois se corrigiu.

Ao microfone, o rapper agradeceu ao presidente e repetiu o slogan da campanha. Pediu que o público não votasse em Biden, deixando explícita sua preferência naquela eleição.

Lil Pump no comício de Grand Rapids, na madrugada de 3 de novembro de 2020. Vídeo: The Independent.

8. Rick Ross

Rick Ross passou por Washington em janeiro de 2025 para cantar no Crypto Ball. A festa de 17 de janeiro, no Andrew W. Mellon Auditorium, reuniu empresários de criptomoedas que celebravam a chegada de Trump ao governo e esperavam mudanças nas regras do setor.

Snoop Dogg e Soulja Boy também estavam na programação. Ross apresentou músicas como "B.M.F." e "All I Do Is Win" em um evento privado, realizado antes da posse e separado dos bailes oficiais. Trump não compareceu.

Em um vídeo publicado naquele período, o rapper descreveu a passagem pela capital como um evento privado com Snoop. Foi essa apresentação que ligou seu nome às celebrações da posse: um show para o público do setor de criptomoedas, em uma noite que misturou música e expectativas sobre o novo governo.

Rick Ross no Crypto Ball, em janeiro de 2025. Via Bo Loudon/X.

9. Soulja Boy

Soulja Boy foi direto ao explicar por que cantou no Crypto Ball: precisava do dinheiro. A apresentação aconteceu em 17 de janeiro de 2025, em Washington, e rendeu críticas pela ligação da festa com as celebrações da posse de Trump.

Em vídeos nas redes sociais, o rapper disse que não recusaria aquela oportunidade de trabalho por causa da associação política do evento. Contou que teve sentimentos divididos ao aceitar o convite, mas manteve a decisão de subir ao palco.

Na mesma resposta, Soulja afirmou não gostar de Trump e lembrou que o presidente eleito sequer estava na festa. Sua explicação foi a de um artista que aceitou uma contratação pela remuneração, mesmo com a associação política do evento. O dinheiro, segundo ele, pesou mais naquela escolha.

Soulja Boy no Crypto Ball, em janeiro de 2025. Via Nick O'Neill/X.

10. Ice Cube

Ice Cube chegou à eleição de 2020 com uma proposta própria: o Contract With Black America, voltado ao combate à desigualdade racial e econômica. Segundo ele, as duas campanhas procuraram sua equipe. Os republicanos demonstraram interesse em incorporar medidas ao Platinum Plan; os democratas deixaram o aprofundamento da conversa para depois da eleição.

Quando uma assessora de Trump divulgou o contato, vieram as críticas. Cube já havia atacado o presidente, inclusive na faixa "Arrest the President", de 2018. Ao HOT 97, em 21 de outubro de 2020, disse que continuava indeciso e queria cobrar compromissos de quem tivesse poder para atender à população negra.

Em novembro de 2024, voltou ao assunto e rejeitou o rótulo de apoiador de Trump. Também afirmou que não havia se reunido nem conversado diretamente com ele sobre o plano. A negociação, explicou, era com a campanha.

Ice Cube fala sobre o contato com a campanha de Trump, em outubro de 2020. Vídeo: HOT 97.

11. Sexyy Red

Os pagamentos emergenciais da pandemia ajudaram a conquistar a simpatia de Sexyy Red por Trump. No This Past Weekend, em 3 de outubro de 2023, a rapper disse gostar do ex-presidente por causa dos cheques e da libertação de pessoas negras da prisão. Também o descreveu como engraçado e direto.

Os auxílios eram recursos públicos, autorizados por leis federais e distribuídos pelo governo. A associação com Trump, porém, apareceu também na estética dos shows: em 2024, Sexyy usou um boné gigante com o slogan "Make America Sexyy Again", inspirado no MAGA.

Quando chegou a hora de votar, escolheu a adversária do republicano. Em 1º de novembro de 2024, publicou que já havia participado da eleição e declarou apoio a Kamala Harris. O elogio no podcast ficou como um capítulo anterior dessa trajetória.

Sexyy Red no Rolling Loud California, em março de 2024. Vídeo: Rolling Loud.

12. Swae Lee

Swae Lee entrou nessa história por atacar Kamala Harris. Em julho de 2024, pediu aos seguidores que não votassem na candidata democrata, e a declaração foi recebida como uma aproximação com Trump. Dois anos depois, o rapper voltou ao assunto para recuar.

No The Breakfast Club de 3 de abril de 2026, retirou a recomendação contra Harris e afirmou que não havia votado em 2024. Também disse que não tinha declarado alinhamento com o republicano. A crítica à democrata, em seu relato, não significava adesão ao adversário.

Na entrevista ao Way Up With Angela Yee, publicada no mesmo dia, Swae contou ainda que recebeu propostas financeiras para fazer campanha e se apresentar em ações ligadas ao MAGA. Segundo ele, recusou as ofertas. O relato foi parte de sua resposta à identificação que passou a acompanhá-lo desde aquela eleição.

Swae Lee em entrevista a Angela Yee, em abril de 2026. Vídeo: Way Up.

13. DaBaby

DaBaby tinha um nome em mente quando elogiou Trump no Full Send Podcast: Kodak Black. Na entrevista publicada em 22 de julho de 2022, chamou o ex-presidente de "gangsta" e citou a decisão que permitiu ao colega deixar a prisão antes do fim da pena.

A Casa Branca havia anunciado a comutação de Kodak em 20 de janeiro de 2021. A medida reduziu sua punição. DaBaby também contou que gostaria de conseguir ajuda para um primo preso, ligando sua admiração por Trump ao poder presidencial de intervir em condenações federais.

Era uma mudança em relação à preferência que havia manifestado em agosto de 2020, quando declarou apoio a Kanye West na corrida presidencial. Dois anos depois, a libertação de Kodak ocupava o centro de sua resposta sobre Trump. Foi esse gesto, segundo o rapper, que lhe rendeu respeito.

DaBaby em entrevista de julho de 2022. Vídeo: Full Send Podcast.

14. Nelly

Nelly aceitou cantar na segunda posse de Trump por respeito à Presidência, segundo explicou a Willie D. O rapper se apresentou em 20 de janeiro de 2025 no Liberty Ball, um dos bailes oficiais. Snoop Dogg, Rick Ross e Soulja Boy haviam cantado três dias antes no Crypto Ball, uma festa privada.

Diante das críticas, Nelly disse que teria aceitado o mesmo convite de Joe Biden. Também afirmou que cantaria para Kamala Harris se ela tivesse vencido a eleição. Para ele, subir ao palco naquele contexto era uma forma de reconhecer o cargo, independentemente de quem o ocupasse.

O artista declarou ainda que o dinheiro não motivou sua decisão. Sua defesa se concentrou na diferença entre fazer uma apresentação e pedir votos para um candidato. Foi assim que justificou a presença no Liberty Ball, sem se apresentar como apoiador da candidatura republicana.

Nelly explica sua participação na posse, em janeiro de 2025. Vídeo: Willie D Live.

Além da foto

O nome de Trump atravessa essas histórias por caminhos diferentes. Para Lil Pump, houve campanha e pedido de votos. Para Kodak Black, a gratidão pela saída da prisão virou apoio público. Ice Cube buscou compromissos para sua proposta; Soulja Boy aceitou um trabalho. Reunidos na mesma imagem ou na mesma manchete, esses gestos podem parecer equivalentes.

As mudanças de posição também fazem parte dessa relação. O recuo de 50 Cent, o voto de Sexyy Red em Kamala e a resposta de Swae Lee ao rótulo de MAGA dizem tanto quanto os elogios anteriores. No Brasil, onde o vínculo entre rap e política também mobiliza discussões, essas trajetórias lembram que uma tradição de resistência social convive com escolhas individuais, interesses profissionais e contradições. A foto registra um encontro. A história de cada artista explica o resto.

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