Coletivos Underground 2026: 1C34, Surf Gang, ØWay e mais
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Coletivos Underground 2026: 1C34, Surf Gang, ØWay e mais

Nos últimos anos, acompanhar a cena virou menos sobre artista isolado e mais sobre coletivo inteiro surgindo quase ao mesmo tempo, cada um como um ecossistema criativo próprio. O que parecia só amizade de internet virou método. Grupos como Regularisperfect, 1c34, ØWay, Too Many Strikers, Draco.fm, Stepteam e Surf Gang mostram como essa fase do rap se organiza por conexão criativa - não por gravadora ou região.

Regularisperfect

Feng, Justbainz, Mayvi, Salem Ann, Llondon Actress, Jett Mucicca, Ibeenpoping

O Regularisperfect nasce da ideia de quebrar a postura distante que dominou a música online. Criado por Zhang ao lado do diretor Stan Smith, funciona como rede aberta de artistas espalhados pelo mundo: música, vídeo, arte visual, sem tentar parecer inacessível. A estética puxa memória de infância, cor leve, sensação lúdica - o contrário do cinismo recente da internet. Não é grupo fechado: é círculo expandido, onde Salem Ann aparece ao lado de gente multidisciplinar. A cena atual já não separa tanto música de outras formas de criação.

1C34

xaviersobased, ksuuvi, elibanss, ss3bby, backend

1C34

Em Nova York, o 1c34 virou um dos centros do ressurgimento moderno do jerk. Fundado por xaviersobased, o coletivo ajudou a transformar um som que parecia nostálgico em coisa atual de novo - e influenciou flow e estética de muita gente nova. Mesmo com saídas naturais de membros, segue relevante porque nunca dependeu de formação fixa: depende de uma linguagem sonora compartilhada, que continua mudando junto com a cena.

ØWay

Tezzus, diamond, Pz', Yung Fazo, Billion, EA TJ, Reezy X**

ØWay

O ØWay representa o Atlanta de agora, onde tradição e internet convivem sem conflito. O coletivo começou 2026 chamando atenção com um cypher longo que funciona mais como três faixas conectadas do que freestyle clássico: rage agressivo, ambient sombrio e trap mais acessível no mesmo projeto. Liderados por Tezzus e diamond*, surgem como continuação do antigo 4ET, mantendo relações criativas que já existiam antes do nome. A ligação indireta com moda e cultura online mostra que essas cenas já não são só musicais.

Mesmo quando aparece Young Thug ou o período de Whole Lotta Red, o diferencial está no beat e na elasticidade do flow - impede o som de virar cópia. Dentro do próprio coletivo, Pz' já começa a ser lido como próximo destaque. Esses grupos funcionam quase como incubadora.

Draco.fm

Rok, Gyro, Skai, Legion, Warren Hunter

Draco.fm

Enquanto alguns coletivos se organizam em torno de rapper, o Draco.fm mostra o peso do produtor como protagonista. Desde cerca de 2023, o grupo ajuda a redefinir o rage rap: mais distorcido, mais pesado, mais sensorial. A proximidade com Osamason acelerou a expansão. Skai, Legion, Warren Hunter, Gyro e Rok moldaram uma estética que hoje pega tanto projeto da cena quanto lançamento maior. O impacto não está só no hit - está na quantidade de produtor novo tentando copiar a abordagem.

Too Many Strikers

SJR, Jaeychino, Dragnutz, Kuru, Jodyboof, Klljae, Tovi, Twentythree

Too Many Strikers

Too Many Strikers aposta em identidade coesa entre música e visual. Liderado pelo produtor e diretor criativo SJR, mistura bateria agressiva do DMV e do crank com hardstyle, jerk e até pop - experimental, mas alinhado. A unidade vem da consistência dos beats e da direção visual fechada: menos artistas soltos, mais projeto estético completo.

Stepteam

ivvys, maajins, sxprano, aghast

Stepteam

O Stepteam já nasce quase como criação de linguagem. Formado por ivvys, sxprano e maajins, surgiu de troca online e da obsessão por uma cadência específica que virou assinatura. A inspiração vai de EDM a beat antigo do Pharrell e banda marcial: som rítmico e elástico, que ainda circula mais em snippet e mix do que em drop oficial, mas já aponta movimento maior. O nome vem das competições de step team - ritmo e movimento no centro da construção.

Surf Gang

Snow Strippers, Evilgiane, Jackzebra, Eera, 4evr, Eliproperr, Jawnino

Surf Gang

Coletivo de Nova York formado por Giane Chenheu (Evil Giane), Cameron Kozloff (Eera) e Harrison Sutherland. Começou como trio de produtores recrutando vocalista do círculo de amigos pra um som subversivo. Desde 2018 funciona mais como comunidade aberta do que banda: mentalidade DIY, música, arte, show e projeto visual independente.

O som mistura drill nova-iorquino, emo rap, footwork, trance, trap e psicodelia - leve e complexo ao mesmo tempo. Já trabalharam com A$AP Rocky, Playboi Carti, Kendrick Lamar, Baby Keem, Earl Sweatshirt, PinkPantheress, Bktherula, Bladee, Black Kray, John Glacier, xaviersobased e Nettspend. Projetos: SGV1, At Least We Tried e #HEAVENSGATE VOL.1, além de singles e collabs com Matt Ox, 454, Slimesito, LUCY, Harto Falión e Serane. Recentemente tocaram em eventos da NYFW pra Grailed e Off-White e fizeram o primeiro Boiler Room em Nova York. A dinâmica interna é amizade e colaboração constante - por isso segue funcionando mesmo com cada um no caminho individual.

Study Group

Reklus1ve, Cranes, Dollmaker, Clay10, Orihime, Ssh1be +++

Study Group

Baseado em Nova York, o Study Group coloca o produtor no centro. Molda o som de fakemink, xaviersobased e jackzebra, e empurra nome novo que ainda circula principalmente na cena online. Mais ponto de encontro do que equipe fixa: produtores com estética e método parecidos, identidade reconhecível mesmo em projeto diferente. Boa parte da evolução recente do rap acontece primeiro na produção, antes de chegar no artista final.

O que conecta

O que liga esses grupos não é um gênero. É a lógica: coletivo virou o motor da cena. Em vez de esperar validação externa, eles constroem infraestrutura, estética, público, produção e circulação. A internet é ponto de encontro, não objetivo final. Estilos nascem mais rápido, produtor tem o mesmo peso do rapper, e a ideia de movimento volta a fazer sentido - espalhada entre cidade, Discord e timeline ao mesmo tempo.